segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Maria, onde está você na Bíblia?

Dia desses eu estava vendo algumas postagens na internet e deparei-me com esta pérola. Era a imagem abaixo, da qual irei tecer algumas breves considerações.


A PRETENSÃO

A pergunta capciosa e pretensiosa parece dar aquela munição para o “crente” detonar a fé católica. Mas, mal sabem eles que a associação feita sequer é cabível, muito menos convincente para qualquer pessoa mais versada na fé. Por que posso afirmar isso? Tenho boas razões para fazê-lo, e tratarei de demonstrar um pouco delas nestas breves linhas, que estão longe de encerrar o assunto, devendo ser consideradas como uma pequena e breve introdução ao papel de Maria na economia da salvação do homem, bem como de refutação a essa balela iconoclasta.

MAS, OBJETIVAMENTE, ONDE ESTÁ MARIA NA BÍBLIA?


Se buscarmos o suficiente, veremos a mãe de Jesus de forma muito clara na Bíblia. Ela está em vários lugares, mas evidentemente não tanto quanto o seu filho, que é o próprio tema da Sagrada Escritura do Gênesis ao Apocalipse. Contudo, ela aparece sim em muitos lugares de forma modesta, mas ao mesmo tempo marcante, inclusive em lugares que os evangélicos comuns veem e não a reconhecem.


Esta é, sem dúvida alguma, uma das passagens mais profundas da Sagrada Escritura acerca da importância dessa mulher para a própria redenção humana. Não estou com isso dizendo que ela é salvadora. Longe de mim tal assertiva! Contudo, restam claras algumas coisas neste curto e expressivo texto: primeiro, a simples saudação de Maria fez com que sua prima, Santa Isabel, ficasse cheia do Espírito Santo. A própria criança (João Batista) estremece no seio da mãe ao ouvir, mesmo do ventre, a voz da mãe do Salvador. Vemos aí claramente o seu perfeito casamento santo com a terceira pessoa da Santíssima Trindade: quando alguém a ouve, fica “cheia do Espírito Santo”. Segundo, e ainda mais interessante, é nesta passagem que vemos na Bíblia Maria ser chamada de “Mãe do Senhor”, título este muito claro mesmo a quem não é um teólogo.

Outras passagens indicam claramente a importância dessa “mulher”, a mesma que foi profetizada junto com o seu filho em Gênesis 3, 15, incidentalmente a primeira profecia da Sagrada Escritura. Aliás, não foi à toa que Jesus por diversas vezes chamou sua própria mãe de “mulher”, título dado a ela desde o início na Bíblia.

SUA PRESENÇA NO PRIMEIRO MILAGRE DE JESUS

Estava o Senhor numa festa de casamento, em Caná da Galileia. Ele não estava pronto para começar o seu ministério, muito menos fazer qualquer milagre. Isso fica evidente nas suas palavras:

...ainda não é chegada a minha hora.” (João 2, 4)

No entanto, ao perceber que sua mãe intercedeu pelo casal que estava para ficar sem vinho em suas bodas, Nosso Senhor antecipa o momento de executar o seu primeiro milagre. E Maria, ao invés de chamar para si as honras de ter inclinado o seu filho a atender aquele casal aflito, apenas se limita a dizer “fazei tudo o quanto ele vos disser” (João 2, 5). Maria conduziu o destino daquele casal a Jesus, dirigiu a honra para Jesus, e ela continua fazendo isto até os dias hoje!

Depois deste milagre, muitos creram em Jesus, e ao descer a Cafarnaum, lá estava a “sua mãe” junto ao mestre.

Jesus principiou assim os seus sinais em Caná da Galiléia, e manifestou a sua glória; e os seus discípulos creram nele. Depois disto desceu a Cafarnaum, ele, e sua mãe, e seus irmãos, e seus discípulos; e ficaram ali não muitos dias.” (João 2, 11-12)

SUA PRESENÇA NA CRUCIFICAÇÃO E MORTE DO NOSSO SENHOR

Maria esteve com Jesus em seu nascimento, educou-o e criou-o por décadas, e na sua morte cruenta lá estava ela ao seu lado:

E junto à cruz estavam a mãe de Jesus, e a irmã dela, e Maria, mulher de Clopas, e Maria Madalena. Vendo Jesus sua mãe e junto a ela o discípulo amado, disse: Mulher, eis aí teu filho. Depois, disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. Dessa hora em diante, o discípulo a tomou para casa (João 19:25-27)

SUA PRESENÇA NA DESCIDA DO ESPÍRITO SANTO

Como já vimos até aqui, Maria esteve presente em todos os momentos, da encarnação até a morte do seu filho Jesus Cristo na terra. Contudo, sua relação estreita com o Espírito Santo é evidenciada quando da sua descida do céu, em Pentecostes, no ano 33 da nossa Era Comum:

Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele... Chegando o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar. De repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados.” (Atos 1,14 e 2, 1 e 2)

SUA PRESENÇA NO CÉU

Maria aparece também claramente no Apocalipse, e com uma função especialíssima na Igreja: a de ajuntar os filhos de Jesus.

Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Estava grávida e gritava de dores, sentindo as angústias de dar à luz. Depois apareceu outro sinal no céu: um grande Dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e nas cabeças sete coroas. Varria com sua cauda uma terça parte das estrelas do céu, e as atirou à terra. Esse Dragão deteve-se diante da Mulher que estava para dar à luz, a fim de que, quando ela desse à luz, lhe devorasse o filho. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro. Mas seu Filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono. A Mulher fugiu então para o deserto, onde Deus lhe tinha preparado um retiro para aí ser sustentada por mil duzentos e sessenta dias.” (Apocalipse 12, 1-6)

As referências dessa passagem são muito claras: a mulher (Maria) que dá a luz a um filho, um menino, que iria reger as nações com um cetro de ferro (Jesus). Assim a entenderam os pais da Igreja e assim entende qualquer um cujo véu está retirado dos olhos. Mas, embora as referências sejam claras, alguns insistem em dizer que a passagem se refere somente à Igreja. Embora seja uma aplicação cuja associação alguns pais também fizeram, a passagem tem um duplo sentido: o claro, o óbvio, e o mais velado. A mulher é Maria. Isso fica evidente quando o próprio Jesus chamou sua mãe por diversas vezes de “mulher”, associando-a inevitavelmente àquela figura que foi profetizada nas Sagradas Escrituras. Mas a Igreja também pode ser uma figura dessa mulher, pois ela “dá a luz” aos cristãos de todos os tempos e lugares. A aplicação velada não substitui a óbvia. Ambas são válidas.

Contudo, o texto continua:

O Dragão, vendo que fora precipitado na terra, perseguiu a Mulher que dera à luz o Menino. Mas à Mulher foram dadas duas asas de grande águia, a fim de voar para o deserto, para o lugar de seu retiro, onde é alimentada por um tempo, dois tempos e a metade de um tempo, fora do alcance da cabeça da Serpente. A Serpente vomitou contra a Mulher um rio de água, para fazê-la submergir. A terra, porém, acudiu à Mulher, abrindo a boca para engolir o rio que o Dragão vomitara. Este, então, se irritou contra a Mulher e foi fazer guerra ao resto de sua descendência, aos que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.” (Apocalipse 2, 13-17)

Fica clara a função da mulher e que o dragão (uma referência ao demônio) perseguiria a sua descendência (os cristãos) e todos aqueles que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus (a Igreja). Ora, como a “mulher” seria somente a Igreja se o dragão vai perseguir a descendência da mulher e dos que guardam os mandamentos de Deus? A mulher e os seus descendentes (a igreja) são claramente dois personagens distintos. A interpretação mais clara é que a mulher é Maria e sua descendência é a Igreja.

SUA PRESENÇA NO ANTIGO TESTAMENTO

Maria não está apenas nas passagens óbvias do Novo Testamento. Ela também está profetizada nos Salmos e nos outros profetas do Antigo Testamento. Vejamos alguns exemplos.

O próprio Senhor vos dará um sinal. Eis que a virgem conceberá e dará a luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel” (Isaías 7, 14)

O profeta Isaías viu a virgem [Maria] concebendo, dando luz a um filho e dando a ele o nome de Emanuel, que significa “Deus conosco”.

Porei ódio entre ti [a serpente] e a mulher, entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu ferirás o calcanhar.” (Gênesis 3, 15)

Esta é a primeira profecia da Bíblia. Nela está implícita a mulher que é revelada nos evangelhos e no Apocalipse, com toda a inimizade que haveria entre ela e a serpente original, Satanás, o Diabo.

A FIGURA DA RAINHA-MÃE NO ANTIGO ISRAEL MONÁRQUICO

O reino de Deus é uma monarquia, assim como era no antigo Israel. A mãe do rei gozava de um status elevado, e levava o título de gebirah, que significa “a grande dama”. Essa figura existiu na monarquia Israelita de forma contínua. Começa com Salomão, que reina com sua mãe, Betsabá, sempre à sua direita no trono, e segue até Neústa, mãe do rei Joaquim, que foi deportado para a Babilônia juntamente com ela quando da queda de Jerusalém para a Babilônia (2 Rs 24, 15 e Jr 13, 18). A mãe do rei tinha mais destaque que as suas esposas, e exercia um papel importante na monarquia real.

Sabemos que tudo o que vemos no Antigo Testamento é uma figura do Novo. Essa tipificação da Rainha-Mãe não é por acidente. Ela é uma figura da Rainha-Mãe dos cristãos.

Então Betsabá foi ao rei Salomão para lhe falar sobre Adonias. O rei se levantou para recebe-la e se inclinou diante dela. Depois se assentou no trono, mandou trazer um trono para a sua mãe, e Betsabá se sentou à sua direita. Tenho um pequeno pedido a fazer-te, disse ela; não mo recuses. Pede, minha mãe, respondeu o rei, porque nada te recusarei.” (1 Rs 2, 19-20)

Sobre esse texto o ex-pastor protestante Scott Hahn comenta:

Essa curta passagem nos traz considerações implícitas sobre o protocolo e o poder de estrutura da corte de Israel. Inicialmente, vemos que a Rainha-Mãe se aproxima do seu filho a fim de falar-lhe em nome de outra pessoa. Isso nos confirma o que já sabemos sobre as rainhas-mães nas outras culturas do Oriente Médio... Em seguida, percebe-se que Salomão se levantou do seu trono quando sua mãe entrou no recinto. Isso dá um destaque ao assunto sobre o qual a Rainha-Mãe queria tratar com o rei. Qualquer outra pessoa que viesse à presença do rei deveria seguir o protocolo, mesmo suas mulheres deveriam curvar-se diante dele (1 Rs 1, 16). Contudo, Salomão se levanta para honrar Betsabá, mostrando mais respeito por ela ao curvar-se e lhe dar o lugar de maior honra, ao seu lado direito. Sem dúvida, esse episódio descreve um ritual da corte no tempo de Salomão, um ritual que expressa um relacionamento real. O que nos dizem as atitudes do rei Salomão quanto ao relacionamento com sua mãe? Inicialmente, seu poder e autoridade não são, de forma alguma, ameaçados por ela. Ele se curva para ela, mas continua sendo rei. Ela senta-se à sua direita e não ao contrário. É evidente, no entanto, que ele vai honrar seus pedidos não devido a alguma obrigação legal de obediência, mas, sim, por amor filial. Até o momento dessa cena em particular, Salomão tinha claramente um histórico de ceder aos desejos de sua mãe. Quando Adonias primeiro se aproxima de Betsabá para solicitar sua intercessão, ele diz: ‘Peça ao Rei Salomão; ele não vai lhe recusar’. Embora Salomão seja superior a Betsabá, na ordem da natureza do pedido e do protocolo ele permanece sendo o seu filho...Como o primeiro sucessor de Davi reinou ao lado de sua Rainha-Mãe, assim também o faria o seu último e eterno sucessor(Scott Hahn, em seu livro “Salve, Santa Rainha”, pags. 67-68)

A tipificação da figura da Rainha-Mãe no reinado do antigo Israel frente à nova monarquia divina e seus paralelos nos textos do Novo Testamento é muito clara para ser ignorada.

E A IDOLATRIA ÀS SUAS IMAGENS, NÃO ESTÃO PROIBIDAS NOS DEZ MANDAMENTOS?

É fato que responder a esta pergunta demandaria praticamente um outro artigo completo, mas tentarei endereçar a questão da forma mais direta possível. Deus verdadeiramente proibiu a idolatria, principalmente naquele contexto em que vivia a nação de Israel, cercada por outras nações que adoravam deuses falsos e que os representavam através dos seus ídolos feitos com ouro, madeira ou pedra. Por isso Deus foi radical:

Não terás outros deuses diante de minha face. Não farás para ti escultura, nem figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra. Não te prostrarás diante delas e não lhes prestarás culto.” (Êxodo 20, 3-5)

Os nossos irmãos separados (protestantes) entendem neste (e em outros versículos) que Deus estaria proibindo qualquer representação em imagens. Veja, contudo, que sua aplicação, se levada à cabo por eles acabaria por inviabilizar a própria vida moderna: não poderíamos ter esculturas de espécie alguma, as fotos seriam proibidas, a sétima arte idem, pois a proibição foi clara; não poderíamos fazer “figura alguma do que está em cima, nos céus, ou embaixo, sobre a terra, ou nas águas, debaixo da terra”. Imagine um mundo em que uma simples revista cheia de fotos seria um pecado mortal, ou um cônjuge que leve uma foto de sua família na carteira sendo taxado de “idólatra”. É esse o extremismo que deveria prevalecer, caso os argumentos dos iconoclastas prosperasse. Contudo, a Bíblia não pode ser interpretada em versos separados do seu contexto histórico, cultural e temporal, muito menos por versículos isolados. É preciso ver o todo. E o que esse todo nos diz?

Primeiramente, que Deus mandou confeccionar imagens de escultura no próprio Velho Testamento. Sim, vejamos:

Farás também uma tampa de ouro puro, cujo comprimento será de dois côvados e meio, e a largura de um côvado e meio. Farás dois querubins de ouro; e os farás de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado e outro de outro, fixando-os de modo a formar uma só peça com as extremidades da tampa. Terão esses querubins suas asas estendidas para o alto, e protegerão com elas a tampa, sobre a qual terão a face inclinada. Colocarás a tampa sobre a arca e porás dentro da arca o testemunho que eu te der. Ali virei ter contigo, e é de cima da tampa, do meio dos querubins que estão sobre a arca da aliança, que te darei todas as minhas ordens para os israelitas.” (Êxodo 25, 17-22)

Fez dois querubins de ouro, feitos de ouro batido, nas duas extremidades da tampa, um de um lado, outro de outro, de maneira que faziam corpo com as duas extremidades da tampa. Esses querubins, com as faces voltadas um para o outro, tinham as asas estendidas para o alto, e protegiam com elas a tampa para a qual tinham as faces inclinadas.” (Êxodo 37, 7-9)

e o Senhor disse a Moisés: 'Faze para ti uma serpente ardente e mete-a sobre um poste. Todo o que for mordido, olhando para ela, será salvo.'. Moisés fez, pois, uma serpente de bronze, e fixou-a sobre um poste. Se alguém era mordido por uma serpente e olhava para a serpente de bronze, conservava a vida.” (Números 21, 7-9)

Outros textos para consulta: Êxodo 41,18, 1 Reis 6,23-29.32; 7,26-29.36; 8,7, 1 Crônicas 28,18-19, 2 Crônicas 3,7,10-14; 5,8, 1 Samuel 4,4.

Fica evidente que a aplicação da chamada “idolatria” não pode ser a que a dão os protestantes. Do contrário, Deus seria incoerente (e sabemos que Ele não é!). Como Ele mandaria proibir uma coisa e logo em seguida mandar fazer exatamente o contrário do que Ele havia ordenado? Das duas uma: ou Deus é confuso ou é a interpretação protestante que está errada. Como bom fiel que sou, a segunda opção é que é a única viável: a interpretação protestante está errada!

O que seria então a idolatria? Seria exatamente o que a palavra quer dizer: a junção das palavras εἴδωλον (Eidolon - Simulacro), que indica um objeto de adoração em matéria de realidades espirituais e λατρεια (latria – adoração). Ou seja: idolatria é a adoração de deuses falsos. E isso não pode, sob nenhum aspecto ser comparado à veneração dos católicos aos seus santos, especialmente a Maria, pois para nós os santos não são “deuses”: muito pelo contrário, são servos do único e verdadeiro Deus, o único que merece a adoração. Ainda, não são personagens falsos, mas são pessoas históricas que pertenceram (e ainda pertencem) à Igreja, que viveram o exemplo cristão no seu ápice, e que servem como um modelo a ser imitado.

Para os católicos a honra (dúlia) prestada aos seus santos não se confunde com a adoração (latria) devida única e exclusivamente a Deus. Isso já era bem evidente no tempo de Santo Atanásio, que no século IV já dizia de maneira absolutamente clara (quando já havia o falso discurso de “idolatria” contra os cristãos):


No demais, esse ponto está mais do que refutada neste vídeo de apenas 14 minutos, o qual referencio para uma elucidação mais embasada acerca da razão pela qual não se pode afirmar que as imagens dos santos é uma idolatria.


Enfim, não irei me alongar na refutação a esse ponto em específico, já bem elucidado no vídeo acima, mas é evidente que a Igreja Católica não suporta a idolatria tal qual nossos irmãos separados costumam nos acusar. Falta-lhes uma visão histórica mais apropriada para fazer um julgamento mais salutar daquilo que a Igreja sempre fez. Fica claro também que Maria está na Bíblia em diversos lugares, e que tem uma posição muito mais relevante do que muitos protestantes podem pensar.

ENTÃO, COMO RESPONDERÍAMOS À PERGUNTA DA GRAVURA QUE ENCABEÇA ESTE TEXTO?

Eu Responderia: ela está em Lucas 1, 48, quando nos é dito que “todas as gerações” a chamariam de “bem aventurada”. Ela está em João 19, 26-27, quando Jesus entrega-a a João e simbolicamente a toda a humanidade dizendo “eis aí a tua mãe”. Ela está em Atos 1, 14 “perseverando na oração”. Ela está em Gênesis 3, 15 como a “mulher” que teria inimizade perpétua com a serpente maligna. Ela está também em Apocalipse 12 como a mesma “mulher revestida de sol, com a lua debaixo de seus pés e uma coroa de doze estrelas”. Ela está em Isaías 7, 14 como a “virgem” que “conceberá e dará a luz um filho”. Ela está em 1 Reis 2, 19-20 como a Rainha-Mãe a quem apetece ao rei atender-lhe os rogos, e em tantos outros lugares, escondida nos tesouros das Sagradas Escrituras. Mas ela está, sobretudo, em todos os registros que a Igreja conserva há mais de 2.000 anos: nos escritos dos pais apostólicos, na liturgia deixada pelos apóstolos, nas catacumbas dos cristãos perseguidos nos primeiros séculos do cristianismo, bem como no magistério infalível da Igreja cujas “portas do inferno não prevalecerão” e que é a “coluna e sustentáculo da verdade” (1 Tm 3, 15).

PARA SABER MAIS:

  • Salve, Santa Rainha / Scott Walker Hahn, 2ª Edição. Editora Cleofás, 2015 (a venda neste link);
  • BALTHASAR, Hans Urs von; RATZINGER, Joseph Aloisius. Maria a primeira Igreja. Gráfica de Coimbra, 2004. p.59-78 (acessível neste link no site "Apologistas Católicos")